Cidade de Luanda

*Luanda, um lugar de história e cultura

“ (…) Luanda é um poema que se canta ou pinta. E se dança com ritmos amantes e viscosos (Fernando Costa Andrade: 1997).”

Da valorização das suas gentes ao património espiritual, Luanda se apresenta como as ondas do mar que lhe banham, ondulante, mas também calma, sob brisa de um clima temperado. Ora ameno, frio, ora tórrido, e desconfortável.

Assinala-se em Luanda um crescimento convergente, quiçá côncavo, de uma civilização do interland para o interior, e do interior para o interland, rompendo a velha cultura do purismo nominal axiluanda. Neste sentido, a Província de Luanda é uma emanação da herança ancestral e dos seus espíritos e a contemporaneidade expressa na sua condição de cidade metropolita.

Luanda é, entre as demais províncias, detentora de um património considerável e que constitui o mais eloquente testemunho do percurso histórico da actividade e sensibilidade do Povo Angolano nos diferentes períodos da sua História. É este legado  que continua a ser dinamizado nos mais variados sectores.

Nos seus mais de quatro séculos de existência, é notória a miscigenação social, cultural entre os seus habitantes, notadamente verificadas na unidade diversa do seu povo, nas propostas arquitectónicas que o seu desenvolvimento urbano apresenta, apesar de sofrer intimamente com as múltiplas divisões político-administrativas que, de uma ou de outra forma, lhe confere  outra característica e lhe dá uma nova estrutura, desde o ponto de vista da antropologia da sua herança consanguínea à perda dos espaços territoriais, sendo acentuada a diminuição de lugares para a prática de agricultura e da pecuária.

Em razão de múltiplos factores, entre os quais o êxodo rural, ela cresce de forma acentuada nas zonas periurbanas, muitas vezes à margem dos moldes da Administração local. Um fenómeno também verificado nos primórdios da sua fundação, com o surgimento dos Bairros Coqueiros, Bairro Operário, Bungo e Ingombota.

É esta Luanda que vos apresentamos, e que, como assinala Virgílio Coelho “Luanda não pertence unicamente a quem nela nasceu. É de todos quantos gostem dela e nela contribuam com seu esforço e saber, suor e experiências, factos que possibilitam que ela permaneça um burgo «mundano» e cosmopolita, onde é possível viver e sobreviver com a esperança…!”

A Luanda que tem kalunga com Kianda e deusa da zunga. Que tem o kaluanda que aprecia a muamba de peixe e de galinha; Luanda que tem lua, que kalua os mujimbos da banda; que também tem meandungo, o retocado musongue com calor. Luanda de maruvo, do pirão de farinha de musseque, que quem aprecia as suas iguarias logo quer se estabelecer, seja ele visitante, ou peregrino nacional ou estrangeiro.

Uma Província que desafia o tempo, abrindo mãos para o abraço fraternal e que se mantém pujante por meio das lições de bravura de Ngola Kiluange e Rainha Nzinga A Mbandi, cujas marcas transportam traços visíveis do quotidiano luandense, suas histórias e memórias, emblematicamente figuradas na natureza peculiar das suas maneiras de ser e estar.

Luanda eterniza o Semba nas alterações profundas da oralidade do seu português e se reinventa no Carnaval de grande valor. Que não naufraga na descoberta dos mundos vencidos na aproximação da atracagem de navios cruzeiros que levarão aos paradeiros da kilapanga, em meio aos musseques desconhecidos imortalizando os amores furtivos que marcam encontros e desencontros delirantes e triunfantes.

Luanda da chuva miúda que provoca charcos e inunda os lugares; Luanda da cidade das cidades que traz a si a mundividência do seu entorno; Luanda de muitos lugares e memórias. É Luanda, é Luanda, é Luanda…

Dados da província

Importância Política: Capital da República de Angola 

Municípios: 16

Área: 18 826 km²

População: 10,1 milhões ( 2024)

Localização: Oceano Atlântico

Clima: tropical seco